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(em) Amena Cavaqueira

...de amigos, para amigos e com amigos

(em) Amena Cavaqueira

...de amigos, para amigos e com amigos

sonho, uma interpretação

O professor de Psiquiatria e de Ciências da Consciência da Faculdade de Medicina de Lisboa, Mário Simões, defende que só os sonhos repetidos devem ser valorizados pelo próprio indivíduo, porque os sonhos funcionam como "uma mensagem, uma espécie de aviso". (...) - Sabemos hoje que os sonhos são uma grande central de tratamento do lixo do dia-a-dia. Eu diria que 90 por cento dos nossos sonhos são para tratar o lixo do dia, para no dia seguinte termos novas ideias - afirmou."

 

Venho propor aqui hoje a interpretação de um sonho. Sonho este recorrente da pessoa em questão e a qual, pelo cariz pessoal do mesmo, me pediu anonimato.

Bom, é a minha "bonsai" .

Agradecemos, a Paula, por seu lado, pelo valor intrínseco e delicado do tema, eu pelo lado lúdico do mesmo, mas com o devido respeito - dizia eu - agradecemos a quem quiser/souber "descodificar" este sonho que avance com conhecimento de causa ou se cale para semp... perdão, acho que me estou a entusiasmar um pouco com tudo isto! 

 

sonho (part. 1)

Quando entro no meu sonho sou uma rapariga nova, por volta dos meus dezasseis anos. Encontro-me num jardim de frente para um enorme e belo palacete. Transponho a porta principal e deparo-me com um salão cheio de pessoas que, absortas nas suas conversas e risos, não me veem subir a enorme escadaria de acesso ao piso superior.

Aí encontro uma porta que abro. Há um enorme corredor por detrás desta, repleto de móveis e espelhos. Vejo igualmente várias outras portas, e reparo também que, no momento em que abri a porta de acesso ao corredor deixei de ser uma adolescente e sou agora uma mulher adulta. De repente há uma que se abre e de lá sai algo que não consigo identificar, um ser amorfo e sem rosto que se aproxima de mim a grande velocidade.

É nesse preciso momento que, atrás de mim, algo ou alguém me agarra e puxa para trás fazendo-me passar a porta de acesso ao corredor, fechando-se de imediato.

Desço a escadaria freneticamente, o salão encontra-se deserto, saio para o jardim, e acordo!

 

sonho (part. 2)

Entro no mesmo sonho onde volto a ser rapariga de dezasseis anos. Estou novamente no jardim do enorme palacete. Mais uma vez chego à porta principal e entro. Lá dentro, no salão, há menos pessoas que da primeira vez que lá estive, continuam absortas nas suas conversas e risos, e mais uma vez não reparam em mim a subir a enorme escadaria.

Estanco em frente à porta de acesso ao corredor e abro-a. Quando o faço passo novamente a ser a mulher adulta. Mais uma vez a mesma porta abre-se e de lá sai a criatura sem rosto que se aproxima de mim a grande velocidade.

Atrás de mim, a coisa ou pessoa do primeiro sonho puxa-me para trás fazendo-me passar a porta, que se fecha.

Desço a escadaria, os convivas do salão já lá não se encontram, saio para o jardim, e acordo!

 

sonho (part. 3)

Estou novamente no jardim, a olhar para o palacete. Dirijo-me à porta principal e entro. Já só meia dúzia de pessoas povoa desta vez o salão, volto a subir a escadaria e chego à porta do costume.

Noto que deixou de haver barulho lá em baixo no salão e quando me debruço no corrimão noto que efetivamente já lá não está ninguém. Respiro fundo e deito a mão à maçaneta da porta abrindo-a. Entro e fecho a porta atrás de mim. Reparo que o corredor se encontra despido de móveis e espelhos. Só duas espadas é que ali se encontram, uma de cada um dos meus lados, e quando olho para mim estou vestida dos pés à cabeça de negro, inclusive de luvas.

Vejo abrir-se a mesma porta e desta vez de lá saem duas entidades e ouço uma voz masculina atrás de mim - está na hora de atacar. - E sem perceber quem me está a ajudar investimos os dois para aquelas criaturas, agora de formas definidas, esguias e com enormes dentes.

Matámo-las e no preciso momento em que o fazemos tudo à nossa volta começa a desmoronar-se.

Desço as escadas a correr, transponho a porta de saída em direção ao jardim continuando a ouvir o troar atrás de mim e chego ao portão do jardim. Ao abri-lo, um enorme estrondo faz-me então voltar e no sítio onde se encontrava o imponente palacete jaz agora um enorme monte de escombros.

De repente outro som prende a minha atenção, volto-me, e onde outrora nada existia encontra-se agora um café. Dirijo-me para lá, abro de par-em-par as portas semelhantes às de um Saloon, e entro. Lá dentro, e na pouca luz existente, vislumbro à minha esquerda um desanimador grupo de cadeiras vazias, à direita um comprido balcão e por detrás dele um homem. Sento-me à sua frente e peço-lhe um copo com água. Nesse preciso momento ouço o barulho característico do vai-e-vem das portas do café, alguém entra e senta-se a meu lado.

Vem o meu pedido. Estico o braço para o copo e vejo poisar em cima da minha a mão uma enorme e negra pata de felino. De imediato ouço a mesma voz masculina de há pouco, que me diz: - A partir de agora não precisas mais de ter medo. - olho para o espelho por detrás do balcão e é aí que o vejo. A meu lado, com uma postura sentada de homem, está um enorme gato preto.

 

Acordo completamente exausta, levanto-me e dirijo-me à cozinha onde tomo o pequeno-almoço. De repente ouço um barulho vindo da escada do prédio, um miado seguido de um arranhar na porta da rua. Abro-a e disparado em direção ao meu quarto entra um gato que se senta na minha cama e fica a olhar para mim. É todo preto. Falo com ele, faço-lhe festas e com receio que pertença a alguém devolvo-o à escada e fecho a porta. Em vão, o miado e o arranhar na porta da rua continuam até que o deixo novamente entrar.

No outro dia pergunto nas redondezas se alguém perdeu um gato com tais características, sem resultado.

 

A partir daí passou a ser o meu gato Kevin!