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(em) Amena Cavaqueira

...de amigos, para amigos e com amigos

(em) Amena Cavaqueira

...de amigos, para amigos e com amigos

uma tattoo

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 Loja do "Xenês" - Ericeira (Foto: Carlota)

 

Tenho tatuada numa perna a imagem de uma Carpa Koi que eu mesmo desenhei (modéstia à parte).

 

Fi-la conscientemente, tendo a perfeita noção que não permaneceria a mesma obra de arte quando atingisse a 3ª idade (eu, não a carpa), mas sim um carapau mirrado no meio de uma salada mista tropical banhando-se num rio de tempero.

Fi-la porque já me achava suficientemente crescidinho (41 anos) para não ter que dar cavaco a ninguém, porque teria capital suficiente para sustentar a evolução do "bicho" e porque teria estofo para não passar pela vergonha de cair num pranto, na marquesa da Tattoo Shop, durante a sua feitura.

 

Mas, continuando...

 

Foi passado uns tempos, e várias sessões de "tortura" epidérmica, que conheci a minha filha Carlota.

Conheci-a aos "quarentas", é certo! Não por a ter concebido e zarpado num qualquer navio rumo a terras distantes buscando um futuro mais risonho para o sustento de uma família agora em crescimento nem pela consequência de uma gravidez indesejada perpetrada por uma juventude inconsequente e ter fugido às responsabilidades, não! Conheci-a aos "quarentas" porque assim estava destinado, porque me faltava algo...

 

Não, não sou o pai biológico da Carlota, mas sim, é minha filha..., filha de coração!

 

Se tenho pena de não ter estado de mão dada com a Paula quando a Carlota veio ao mundo, claro que sim!

...de não a ter tido nos meus braços, com o receio de a "quebrar", como qualquer pai receia;

...de não lhe ter dado o primeiro biberão, a primeira papa finalizada com as clássicas palmadinhas para arrotar, bolçar a minha melhor camisa e mesmo assim rir-me a bandeiras despregadas;

...de não lhe ter mudado a fralda e feito aquele esgar de quem acabou de manusear algo do feliz cruzamento entre uma ETAR e uma Central Nuclear;

...de não a ter visto gatinhar pela primeira vez..., claro que sim!

Gostaria de ter "discutido" com a Paula, afirmando e jurando a pés juntos que as primeiras palavras da Carlota tinham sido "papá" e não "mamã".

 

Fique claro que tenho pena mas não o digo com qualquer tipo de mágoa ou falsos sentimentos.

 

Tudo isto imagino eu ter presenciado/experienciado e vejo hoje tanto o bebé que vi nascer como a mulher em que se transformou e que me orgulho. Como paizinho, como diz a Paula, ou como pai Miguel, como digo eu!

 

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